Simbiose entre Etnomatemática e a cultura Africana: Jogo Mancala Awelé em sala de aula

MANCALA AWELÉ EM SALA DE AULA

  • Eliane Costa Santos GEPEM/ Fe-USP
Palavras-chave: Jogo Mancala Awele; Etnomatemática e Cultura Africana; Interdisciplinaridade ; transculturalidade; Educação Escolar; Decolonidade de saber

Resumo

Neste artigo apresento um campo prolífico de proximidade entre a educação escolar e o Mancala- jogo milenar africano que foi institucionalizado, na Secretaria Municipal de São Paulo ( 2015-2016) na perspectiva de contribuir com a descolonização dos pensares, fazeres e saberes em sala de aula. Justifica-se essa politica de governo, visto que nos últimos anos, a problemática das relações étnico-raciais na educação brasileira, vem se projetando numa escala progressiva, a ponto de interferir em politicas públicas e ações governamentais em todos os níveis. Essa demanda pode ser medida, nos professores, na busca desenfreada de formações continua e de produções acadêmicas relativas aos temas. Entretanto os modos, técnicas ou arte (TICA) de explicar, conhecer, entender, lidar (MATEMA), as culturas (ETNO) dos povos africano, e/ou indígena, ainda sofre uma barreira no momento que se busca transcender à interdisciplinaridade e a transculturalidade. Dessa forma aponto que no Brasil, o Mancala Awelé em sala de aula é uma simbiose entre etnomatemática e a cultura africana. Nessa “jogada”, tratamos esse texto no contexto teórico de Mignolo sobre colonialismo; Ki-zerbo sobre história da África; D’Ambrósio sobre etnomatemática e Macedo sobre Jogos de Mancala.  Inicialmente, apresentamos um pouco do trabalho do Núcleo de educação para as relações étnico-raciais do município de são Paulo, relatamos como se deu a formação com Mancala e por fim apresentamos uma experiência interdisciplinar com Mancala em sala de aula, vivenciada por uma professora do Ensino Fundamental.     

Biografia do Autor

Eliane Costa Santos, GEPEM/ Fe-USP
Dra. em Educação pela FE-USP. Membro do Grupo de Pesquisa em Etnomatemática. Assessora Pedagógica do Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de são Paulo (jul/2013- dez/2016).Docente UNILAB 

Referências

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Publicado
2017-08-08