A trajetória de inclusão de um estudante cego em um curso de licenciatura: estratégias pedagógicas, a linguagem Matemática e seus desafios

Palavras-chave: Abordagem histórico-cultural, Educação Matemática Inclusiva, Ensino de Cálculo.

Resumo

Neste artigo pretendemos retratar e discutir parte da trajetória de inclusão de um estudante cego em um curso de Licenciatura em Matemática estabelecendo um diálogo entre o processo de aprendizagem de conceitos de Cálculo Diferencial e Integral, algumas das práticas pedagógicas adotadas durante o percurso e as dificuldades oriundas da linguagem matemática para esses estudantes. Apresentamos as vozes dos atores envolvidos: o estudante e o pesquisador. Analisaremos ainda as estratégias empregadas por este estudante para internalizar os conceitos envolvidos bem como os objetos utilizados para a realização da tarefa. Em particular, destacaremos neste artigo o conceito de função derivada dentre alguns conceitos estudados por ele. O estudo cujo recorte da nossa dissertação de mestrado retratamos aqui tem por perspectiva a visão sócio histórico e cultural de Vygotsky. Esse autor destaca que um estudante cego tem o mesmo potencial que os estudantes videntes para apropriação de conceitos desde que sua “visualização” seja estimulada por meio de materiais manipuláveis para trabalhar outros sentidos. A pesquisa, de abordagem qualitativa, teve como instrumento de coleta de dados a observação realizada por meio de filmagens das aulas e dos encontros particulares e de apontamentos realizados durante o decorrer das aulas e de encontros particulares realizados junto com o estudante. Dentre os resultados da pesquisa, retratamos a importância que a confecção destes materiais trouxe para a aprendizagem dos conceitos envolvidos.

Referências

BATISTA, C.G. Formação de conceitos em crianças cegas: questões teóricas e implicações educacionais. Revista: Psicologia: Teoria e Pesquisa, Universidade de Brasília, v. 21, n. 1, p. 7-15, jan./abr. 2005.

BOGDAN, R.C.; BIKLEN, S.K. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Tradução de M. J. Alvarez; S. B. Santos; T. M. Baptista. Porto: Porto Editora, 1994. (Coleção Ciências da Educação, 12).

BORGES, J.A.S. Do Braille ao DOSVOX – diferenças na vida dos cegos brasileiros. 2009. 327 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação) – Programa de Engenharia da Computação, UFRJ/COPPE, Rio de Janeiro, 2009.

D’AMBROSIO, U. Educação Matemática: Da teoria à prática. 16. ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2008.

DANIELS, Harry. Vygotsky e a Pedagogia. São Paulo: Loyola,2003.

COLE, M; SCRIBER, S. Vygostky: A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes,1984.

FERNANDES, S.H.A.A. Uma Análise Vygostkiana da apropriação do conceito de simetria por aprendizes sem acuidade visual. 2004. 250 f. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) – FAE, PUC-SP, SP, 2004.

_______. Das experiências sensoriais aos conhecimentos matemáticos: uma análise das práticas associadas ao ensino e aprendizagem de alunos cegos e com visão subnormal numa escola inclusiva. 2008.274f. Tese (Doutorado em Educação Matemática) – Centro das Ciências Exatas e Tecnologias, PUC-SP, São Paulo, 2008.

_______. A Inclusão de Alunos Cegos nas Aulas de Matemática: explorando Área, Perímetro e Volume através do Tato. Bolema, Rio Claro (SP), v.23, n° 37, p.1111 a 1135, dez. 2010.

FINO, C.N. Vigotsky e a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP): três implicações pedagógicas. Revista Portuguesa de Educação, Madeira, v. 14, n. 2, p. 273-291. Mar.2001. Disponível em: <http://www3.uma.pt/carlosfino/publicacoes/11.pdf>. Acesso em: 1 ago. 2016

HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Objetiva,2013.

MACHADO, R.M. A visualização na resolução de problemas de cálculo diferencial e integral no ambiente computacional MPP. 2008. 287 f. (Doutorado em Educação) – Unicamp, São Paulo, 2008.

MOYSÉS, L. Aplicações de Vygotsky à Educação Matemática. 9. ed. Campinas: Papirus, 2009.

NUERNBERG, A.H. Contribuições de Vigostski para a educação de pessoas com deficiência visual. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 2, p. 307-316, abr./jun. 2008.

OCHAITA, Esperanza; ESPINOZA, Maria A. Desarrollo y Educación de los ninõs ciegos y deficientes visuales: áreas prioritárias de intervención. Psikhe, Madrid, v. 4, n. 2, p. 153-165, out. 1995. Disponível em: <http://www.psykhe.cl/index.php/psykhe/article/viewFile/80/80>. Acesso em: 4 ago. 2016.

OLIVEIRA, M.K. Vygotsky: Aprendizado e desenvolvimento. Um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 2006.

PEREIRA, M.D. Aprendizagem em Matemática: Concepção, proposta e experiência em um curso de Pedagogia. In: XVI ENDIPE, 2012, FE. UNICAMP, Campinas, SP. Anais eletrônicos.... 2012. Disponível em: <http://www.infoteca.inf.br/endipe/smarty/templates/arquivos_template/upload_arquivos/acervo/docs/1818c.pdf>. Acesso em: 26 jul. 2016.

PORTES, Rutiléia Maria de Lima. Desafios e perspectivas das TICS no contexto educativo de crianças com deficiência visual. 2013. 186f. Dissertação (Programa de Pós Graduação em Educação), UFU, Uberlândia, Minas Gerais, 2013.

STEFFE, L. P.; THOMPSON, P. W. Teaching experiment methodology: underlying principles and essential elements. In: LESH, R.; KELLY, A. E. Research Design in Mathematics and Science Education. Hillsdale: Erlbaum, 2000. p. 267-307. Disponível em: <http://pat-thompson.net/PDFversions/2000TchExp.pdf>. Acesso em: 2 Ago. 2016

STEWART, J. Cálculo. 7. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013. v. I.

VIGOTSKY, L.S. El niño cego. In: Fundamentos de Defectologia. Ministerio de Educación de Cuba; Cuba: Editora Pueblo e Educación, 1989. p. 74-87 (Obras completas – Tomo V). Disponível em: <http://deficienciavisual3.com.sapo.pt/txt-El_nino_ciego-Vigotski.htm>. Acesso em: 15 jul. 2016.

Publicado
2017-09-03