As Estruturas Multiplicativas e a formação de professores que ensinam Matemática na Bahia: um projeto de larga escala

  • Sandra Maria Pinto Magina UESC
  • Eurivalda Ribeiro dos Santos Santana
  • Irene Mauricio Cazorla
Palavras-chave: Ensino de Matemática

Resumo

Este artigo apresenta o projeto de pesquisa sobre as estruturas multiplicativas (PEM – FAPESB, PES0019/2013), desenvolvido em rede por grupos pesquisadores de cinco universidades baianas (UESC, UESB, UNEB, UEFS, UFRB) e o grupo EmFoco. O objetivo do projeto foi promover uma formação de professores que permitisse desenvolver estratégias de ensino que possibilitassem a expansão e apropriação do campo conceitual multiplicativo pelos estudantes. A pesquisa envolveu dois estudos, um diagnóstico ancorado na Teoria dos Campos Conceituais e no esquema construído por Magina, Santos e Merlini para classificação dos problemas multiplicativos. O instrumento diagnóstico foi aplicado a 4.076 estudantes baianos do Ensino Fundamental. Os resultados permitiram traçar um panorama das competências dos estudantes e subsidiaram o segundo estudo, que propiciou a formação de professores desses estudantes. Este foi realizado ancorado no modelo metodológico de formação intitulado Espiral RePARe – ‘reflexão-planejamento-ação-reflexão’ – elaborada por MAGINA (2008), o qual tem uma vertente reflexiva sobre elementos que compõem o processo de ensino. Esse trabalho, realizado com os professores no lócus da escola, a partir da reflexão sobre os resultados do diagnóstico dos estudantes e do trabalho desenvolvido em sala de aula, indica que o modelo RePARe pode ser usado no ensino de diferentes conteúdos matemáticos e nos vários níveis de ensino.  

Referências

O projeto de pesquisa “As estruturas multiplicativas e a formação de professores que ensinam matemática na Bahia” – PEM se constituiu numa rede de pesquisa dentro do estado da Bahia, num elo entre pesquisadores da área de Educação Matemática que atuam em universidades baianas e grupos de pesquisa. Esse projeto consolida um modelo de formação denominado RePARe e que contribui positivamente para a formação continuada do professor e, consequentemente, para a aprendizagem do estudante; tendo uma vertente reflexiva sobre elementos que compõem o processo de ensino, bem como processos de aprendizagens dos estudantes.
Contribuição positiva, também, pode ser constatada por meio do trabalho em grupo desenvolvido pela equipe de professores dentro da própria escola, com o apoio da equipe de pesquisadores. Os momentos de estudo e reflexão sobre os resultados do diagnóstico dos estudantes e do trabalho desenvolvido em sala de aula.
Nesse cenário o modelo formativo RePARe pode ser usado para o trabalho com diferentes conteúdos matemáticos e em diferentes níveis de ensino.
Parte dos resultados dos estudos realizados no âmbito do PEM serão apresentados nos demais artigos dessa revista.

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Publicado
2018-12-17