Mentalidade Acadêmica no Ensino de Design: avaliação da percepção subjetiva de professores e estudantes de fatores não cognitivos

Palavras-chave: Mentalidade Acadêmica, Sensação de Pertencimento, Design, Avaliação, Percepção

Resumo

O seguinte trabalho tem como tema principal a configuração mental do aluno no contexto do ensino do Design. Trata-se de uma avaliação comparativa das percepções de professores e estudantes de design sobre temas diretamente ligados à ciência da configuração mental e dos fatores não cognitivos que impactam o ensino. Confrontando as percepções de professores e estudantes procurou-se entender as diferentes perspectivas dos sujeitos em relação ao tema. Este entendimento, por sua vez, abre caminho para a visão do impacto dos fatores não cognitivos no ensino do Design, identificando áreas críticas em estratégias de ensino e de aprendizagem para cursos e disciplinas de design. A pesquisa, de natureza qualitativa, é baseada na avaliação subjetiva dos sujeitos em relação a tópicos ligados à configuração mental e à ciência do aprendizado. Através de questionários enviados em formulários, 70 participantes selecionados, dentre eles 21 professores de design e, 49 estudantes e recém-formados apresentaram suas impressões relacionadas a variados fatores ligados à quatro áreas básicas da ciência da configuração mental. Num primeiro momento, eles foram apresentados a afirmativas que representam a visão de estudantes sobre aspectos da configuração mental acadêmica. Num segundo momento, foram convidados a escalar o impacto de fatores não cognitivos na sua vida acadêmica. Posteriormente, responderam a questões ligadas ao desenvolvimento de configuração mental de crescimento e, por fim, responderam a duas questões diretamente ligadas ao senso de pertencimento. Entre os resultados mais relevantes, destaca-se a discrepância na percepção de professores e estudantes sobre a necessidade de erros confusões e esforço para garantia de um aprendizado significativo. Outro ponto de destaque é que alunos de design consideram a mentalidade e perseverança acadêmicas como principais fatores de impacto na sua vida acadêmica, enquanto professores percebem que os principais fatores que impactam a vida acadêmica de seus alunos referem-se a estratégias de aprendizagem e o contexto sociocultural. Em relação ao desenvolvimento de uma mentalidade acadêmica de crescimento, o fator de destaque na pesquisa com professores, se deve à descoberta de que mais de 50% dos sujeitos entrevistados discordam que devam estabelecer expectativas e padrões elevados. No que diz respeito à visão dos alunos, destaca-se que quase 75% dos alunos concordam que seus professores oferecem um feedback significativo e apropriado. Sobre o senso de pertencimento mais de 25% dos estudantes declararam frequentemente sentir a sensação de não pertencimento ao curso, 50% declaram que algumas vezes já se sentiram dessa forma, já por sua vez, quase 50% dos professores relatam que frequentemente seus alunos demonstram sentir-se isolados das questões do curso. O que chama atenção em relação a esse dado é que quando questionadas sobre a procura de ajuda apropriada para lidar com essas questões, menos de 25% dos alunos relatam já ter procurado ajuda quando falamos dos professores, menos da metade procurar ajuda apropriada. O trabalho deixa claro que é preciso maior entendimento de acadêmicos da área do Design sobre o esforço, a confusão e o erro e seus papéis no aprendizado significativo. Também fica claro que a perseverança acadêmica e as estratégias de aprendizagem utilizadas por alunos devem ser trabalhadas para minimizar o impacto negativo na relação ensino-aprendizagem. Por fim, é preciso que os professores entendam que existe uma necessidade de definição de padrões e expectativas elevados dentro do ensino do Design e que o feedback deve ser dado de forma significativa e os elogios de forma cautelosa e técnica.

Publicado
2020-08-31
Como Citar
Santos, I., & Lana, S. (2020). Mentalidade Acadêmica no Ensino de Design: avaliação da percepção subjetiva de professores e estudantes de fatores não cognitivos. Com a Palavra, O Professor, 5(12), 191-209. https://doi.org/10.23864/cpp.v5i12.304