Uma reflexão histórica acerca de rastros discursivos deixados pelo enunciado "Análise"

  • Danilo Olímpio Gomes Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Unesp (Rio Claro/SP)/ Instituto Federal de Alagoas (IFAL)
Palavras-chave: Disciplina de Análise, História da Matemática, Arqueologia Foucaultina, Práticas Discursivas

Resumo

Este artigo foi composto com o objetivo de tecer reflexões acerca de uma história da problematização daquilo que conhecemos por rigor, que se relaciona com disciplinas de Análise em cursos de licenciatura em matemática, tendo como principal motivação as divergências encontradas entre o que se espera daquela disciplina e o que, de fato, ocorre em salas de aula dos referidos cursos. Assim, utilizando um recorte de nossa dissertação de mestrado, seguimos rastros discursivos em que o enunciado “Análise” aparece em relação com outros enunciados e/ou discursos. Fizemos isso operando em aliança com o pensamento de Michel Foucault, mais especificamente aquele atrelado ao que ele denominou por Arqueologia, na tentativa de oferecer alguma resposta ao seguinte questionamento: o que pode uma disciplina de Análise? Nossos resultados proporcionam possibilidades de escape aos discursos comumente disseminados no interior da disciplina em comento, de maneira que encontramos pelo menos seis séries discursivas, nas quais o enunciado “Análise” estabelece alguma relação: relações com práticas de decomposição; relações com práticas de Geometria: análise e síntese; relações com práticas metodológicas de Cálculo Diferencial e Integral; relações com práticas limitantes infinitas e relações com práticas estruturantes de um corpo ordenado completo. Ao final, há uma breve reflexão acerca dos resultados encontrados, de modo que deixamos aberta ao o leitor a possibilidade de seguir suas próprias pistas e compor seu próprio caminho discursivo no emaranhado em que se encontra a disciplina de Análise.
Publicado
2019-04-26