Os sentidos atribuídos à cor e raça por alunos de uma escola pública

  • Marielle Costa Silva UFSJ-Universidade Federal de São João del-Rei
  • Stela Maris Bretas Souza UNILESTE-Centro Universitário do Leste de Minas Gerais
Palavras-chave: Crianças, Cor, Raça, Escola

Resumo

Esta pesquisa do tipo descritiva e exploratória buscou contribuir para crítica ao paradigma de desvalorização da infância e para promover discussão sobre as questões raciais, as quais muitas vezes são silenciadas. Este estudo objetivou investigar a autodeclaração de cor e raça de 37 crianças do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública em Minas Gerais e também buscou oportunizar um tempo e espaço para refletir sobre a identidade racial e as vivências de discriminação na escola. Para isso, os instrumentos utilizados foram desenhos de autorretrato e grupos focais, analisados conforme a técnica de Análise de Conteúdo. Os resultados revelaram um amplo conhecimento e uso do vocabulário racial pelas crianças, sendo que a maioria considera os vocábulos cor e raça como sinônimos e evocaram o termo cor com maior familiaridade. Além disso, na maioria dos grupos pesquisados, observou-se a rejeição aos atributos físicos do grupo negro e a preferência em adotar termos referentes ao grupo branco. Foram relatadas vivências negativas por crianças negras em relação ao tema, o que pode influenciar na constituição de sua autoimagem. Ao escutar as vozes das crianças, foi possível valorizá-las e compreender que se apropriam e reconstroem os significados sócio-históricos e culturais formados sobre cor e raça ao longo do tempo. Sugere-se que sejam realizados mais estudos interligando as relações raciais e infância, sendo um campo relevante e pouco discutido pelas produções acadêmicas.

Publicado
2019-08-30